A viagem de moto que realizei com meu companheiro Oscar para Machu Picchu em 2014, a cidade de La Paz foi inclusa no roteiro com o propósito de andar na Estrada da Morte; uma estrada que liga a cidade de La Cumbre a Yolosa totalizando 64 quilômetros. O ponto mais alto fica em La Cumbre a 4.670 metros acima do nível do mar e esta estrada ficou famosa após ser considerada “a mais perigosa do mundo” na década de 1990, por ter trechos muito estreitos com apenas 3 metros de largura e o precipício que pode chegar a 600 metros de altura. Saímos de La Paz preocupados com o trânsito da cidade, mas tivemos sorte em ficar em um hotel de fácil acesso para chegar a Ruta 3. Pegamos a Ruta 3 de La Paz à Coroico, uma estrada pavimentada muito boa e com um visual espetacular, que foi construída quase paralelamente à famosa estrada e, atualmente é uma via alternativa para os carros, caminhões e ônibus. Chegando na cidade de Coroico subimos pela Estrada da Morte, também conhecida como Caminho dos Yungas, e a nossa intenção era andar do Coroico à região de Chuspipata, onde cruza com a Ruta 3, que daria aproximadamente 40 quilômetros e daí retornaríamos novamente para La Paz pela Ruta 3.




Nós optamos em subir por ser mais fácil e menos perigosa porque nesta estrada, a mão de quem sobe é do lado esquerdo, que é mais longe do barranco.



No trecho entre o Mirador San Juan e a Quebrada, a estrada estava sendo realizada uma obra e não nos deixaram seguir adiante. Infelizmente tivemos que retornar, ficamos chateados, porque em um ponto da estrada cobraram uma espécie de “pedágio” e não nos avisaram do bloqueio. Assim, tivemos que descer até a cidade de Coroico e novamente voltamos pela Ruta 3.

Ao meu ver, andar na Estrada da Morte de moto não é difícil e nem perigosa na atualidade. Foi perigosa quando era a única via de comunicação que ligava La Paz à Coroico; os caminhões, ônibus e carros circulavam espremidos dividindo o espaço estreito da estrada. Acidentes mortais aconteciam e, segundo alguns relatos chegou a ser registrado mais de 200 mortes por ano.
Atualmente circulam apenas alguns carros de curiosos e de moradores locais, motociclistas que desafiam a famosa estrada e ciclistas que realizam a descida, e há registros de mortes de ciclistas que descem a grande velocidade, movida a adrenalina. É a nova moda de turismo para visitantes que gostam de bicicleta.
Nosso plano era ficar apenas um dia em La Paz, mas resolvemos estender mais um exclusivamente para fazer o caminho de descida até o local onde estava sendo realizada a obra (que no dia anterior tivemos que voltar).
Chegando na entrada da estrada, ficamos sabendo de uma outra obra, desta vez logo no inicio da descida e alguns ciclistas carregavam as bicicletas para poder passar. Ficou a sensação de frustração, porque a parte mais alta da estrada era a mais linda.


Então, resolvemos passear novamente pela Ruta 3, que é bem gostosa e linda com suas paisagens, as quedas das águas e muitas curvas, e teve vários momentos que parecia estar andando no meio das nuvens.
– Fica a dica para quem gosta de uma boa estrada!




Aproveitando o frio e com intenção de conhecer mais a cultura e gastronomia local, paramos no vilarejo na beira da estrada para experimentarmos um prato tradicional típico da Bolívia, chamado chairo que reúne ingredientes da cultura indígena e andina. O chairo é uma sopa feita de carnes de vaca e vegetais, cenouras, “chuño” que é um tipo de batata desidratada e diversos grãos.


E assim foi nossa curta passagem pela Bolívia, com a sensação do “quero mais” e o desejo de finalizar os poucos quilômetros da estrada mais perigosa do mundo!
**obs: texto revisto em 02/03/2019