Que moto é minha grande PAIXÃO, não é novidade. E foi assim, depois de inúmeras viagens nacionais sobre duas rodas – algumas internacionais, com motos alugadas – e de participar do Iron Butt, que decidi fazer com meu companheiro, o Oscar, uma viagem internacional longa, de distância e de duração.
Foi a nossa primeira viagem longa pela AMERICA DO SUL, e para definir o roteiro, consultamos amigos motociclistas que já tinham rodado pela área. O destino escolhido foi o sul do CHILE e a ARGENTINA, pela beleza das paisagens, gastronomia, culturas locais. À época, eu pilotava uma HARLEY DAVIDSON FAT BOY e meu companheiro, o Oscar, uma BMW GS 1200. Como até então eu não tinha experiência de andar em estrada de terra, e pela minha moto ser estilo custom, escolhemos rotas que evitassem as estradas de rípio.

Quanto ao planejamento, foi realizado muito rapidamente: – Escolhemos o roteiro, trocamos os pneus das duas motos, fizemos a revisão e a troca de óleo, escolhemos algumas ferramentas para levar caso necessite, lembrando que uma era BMW e a outra Harley Davidson e os documentos necessários ( como a carta verde, seguro viagem e o seguro das motos). Raramente fizemos reserva de hotel ou pousada com antecedência – quando chegávamos ao destino, utilizávamos o Wi-Fi de algum posto de gasolina ou lanchonete e escolhíamos o local pelo celular ou notebook. E se a cidade for pequena, rodávamos de motos para procurar. Dependendo da cidade e do turismo na região, em algumas cidades, ficamos mais de um dia no local, mesmo que esse não fosse o plano prévio. E quando ficamos mais de um dia no mesmo local, além do turismo, aproveitamos para levar as roupas na lavanderia se for necessário ( porque não levamos roupas para 30 dias).


Argentina
Partimos no dia 24 de outubro de 2013 de SÃO PAULO para FOZ DE IGUAÇU, com mais de 1050 km rodados. No dia seguinte, o destino foi a cidade de CORRIENTES, na Argentina. Até então tudo tinha corrido bem, mas na saída da cidade, um policial nos extorquiu, alegando que estávamos trafegando na pista central de uma avenida que permitia a circulação de motos apenas na pista lateral… não gostamos, mas se fossemos pelas vias corretas, além da multa perderíamos pelo menos meio dia ou o dia todo para sermos liberados, o que atrasaria nossa viagem, já que rodaríamos 710 km nesse dia. Consideramos estes trechos como um deslocamento, pois são cidades apenas para dormir.
CORRIENTES tem sua graça e beleza, sendo a atração principal o Rio Paraná, onde muitos ficam pescando ou caminhando pelo calçadão ao longo do rio que, aliás, tem um pôr do sol espetacular!

Nosso próximo destino em terras portenhas seria a cidade de SAN FRANCISCO. No caminho, mais uma dessas ‘surpresas’ do destino: após passar pela cidade de Santa Fé, a BMW ficou sem gasolina! O GPS mostrava que tinha um posto no caminho, mas quando passamos no local, o mesmo estava desativado. Durante toda a viagem, a BMW ficou por duas vezes sem a gasolina e por várias vezes ficamos no sufoco. Isto acontecia porque meu companheiro não gostava de parar com antecedência em posto de gasolina. Mas o bom é que os Argentinos são muito atenciosos e muitos param para ajudar.

SAN FRANCISCO, apesar de ser uma cidade pequena, tem um restaurante enorme e bem reconhecido chamado Parrilla Parador Internacional, que vale a pena conhecer. Como chegamos tarde na cidade devido ao imprevisto com a gasolina, fomos direto para o restaurante.

Nosso próximo destino foi a região de CÓRDOVA. Optamos por pernoitar em VILLA GENERAL BELGRANO e depois em MINA CLAVERO, evitando assim uma cidade grande como Cordova. A escolha foi totalmente feliz: essas vilas são encantadoras, sossegadas, pitorescas e têm estradas lindas! A estrada de Mina Clavero, em especial, além de bela e cheia de curvas, é famosa pela presença de condores, e tivemos a sorte de ter alguns nos acompanhando no trajeto. Mais uma vez fomos parados pela policia rodoviária, que alegou que estávamos em alta velocidade, mas desta vez nos liberou apenas orientando para diminuir a velocidade.




Nossa próxima parada foi MENDOZA. Nesse dia, demoramos para encontrar um hotel, porque como chegamos cedo na cidade, dispensamos o aplicativo e rodamos até encontrar uma estadia. Acabamos ficando em uma pousada muito ruim, porque estávamos cansados de tanto procurar e só ficaríamos no local para dormir. Mas mesmo assim sobrou tempo para passearmos e saborearmos uma bela parrilla, muito comum nas ruas do centro da cidade.

Aliás, uma dica: nosso critério para escolher hotel ou pousada é: o local ter Wi-Fi; estacionamento fechado para motos; ar-condicionado no calor e aquecedor na região onde a temperatura é muito baixa. Não ligamos muito para estrelas ou grandes luxos, já que paramos nas estadias só para dormir mesmo – geralmente chegamos à cidade, descarregamos a mala, procuramos um restaurante bom e bem conceituado, conhecemos o local e voltamos tarde da noite, para dormir. Em cidades nas quais ficamos por mais dias, procuramos hoteis ou pousadas melhores, assim descansamos com mais conforto.
Chile
Fim da aventura argentina, hora de rumar para o Chile! O primeiro destino seria a capital SANTIAGO, e à medida que nos aproximamos da Cordilheira dos Andes, a emoção tomou conta e todo o sacrifício da viagem mais que valeu a pena!

Aquela cordilheira enorme, majestosa, potente, toda esbranquiçada pela neve – a sensação era que ela me convidava para passar por ela: “VEM!”. Como ela é linda! A estrada de Los Caracoles, sonho de muitos viajantes motociclistas também me impressionou muito pelas lindas e perigosas curvas no seu trajeto.



Ficamos duas noites em Santiago, para descansar, fazer compras e, principalmente, para aproveitar a gastronomia de peixes e frutos do mar da cidade. Desde o início da aventura, estávamos consumindo somente carnes vermelhas, especialidade argentina, então aproveitamos bem. Fomos aos restaurantes ASTRID & GASTÓN, do peruano Gaston Acúrio, AQUI ESTÁ COCO e é claro que passamos também pelo MERCADO CENTRAL.


Da capital chilena, partimos para TEMUCO, onde conhecemos o Casino Dreams Araucária, e depois seguimos para PUERTO MONTT. Lá ficamos três noites, para conhecer bem a região. A medida que chegávamos mais ao sul, a paisagem ficava mais colorida e alegre ao longo da estrada, devido à estação do ano que era primavera.
– Foi uma ótima escolha, pois nem era muito quente, nem muito frio e totalmente colorida ao longo da estrada.
Em Puerto Montt, jantamos no mercado de Angelmó, e cada noite experimentamos um restaurante diferente do mercado.


Fizemos bate-e-volta na ILHA GRANDE de CHILOÉ. Paramos no mercadão em ANCUD, e não resisti quando vi um salmão e me disseram que era selvagem e fresco. Eu não costumo consumir salmão de cativeiro, mas existem muitos salmões espalhados pelo sul do Chile porque eles escaparam e procriaram soltos pelo rio e mar. Escolhi o peixe e pedi para preparar no próprio restaurante existente dentro do mercado, resultando em um dos melhores PFs que comi, sem dúvida.


Depois fomos até a cidade de CASTRO, a capital e maior cidade da ilha, ver as casas construídas sobre palafitas, um dos principais atrativos da cidade.

e a Igreja de San Francisco, cartão-postal da cidade.

Passamos também duas noites em PUERTO VARAS. A cidade é mais turística e literalmente mais cara, onde aproveitamos para explorar os restaurantes da cidade, a sua gastronomia e as belas paisagens da região dos Lagos Chilenos.

Vulcão Osorno
Demos a volta de moto por todo redor do Lago Llanquihue, de barco no Lago Petrohué, com seu famoso Salto de Petrohué com o Vulcão Osorno majestosamente ao fundo e também passeamos de barco no Lago Todos los Santos.



Subimos de teleférico no vulcão Osorno e descemos de tirolesa.

Uma curiosidade: na região central de Puerto Varas tinha muitos cachorros de rua, muito bem cuidados e bonzinhos, permitiam até carinhos. No entanto, quando passávamos de moto, sempre vinham quatro ou cinco atrás de nós latindo loucamente. Chegaram a morder minha bota e também rasgaram a calça do Oscar.
Era totalmente inusitado, parecia que eles esperavam a moto passar para correr atrás. Teve uma das noites, que quando saíamos do restaurante, lá estavam eles do outro lado da rua. A solução foi empurrar a moto por um trecho para depois ligar e sair correndo em disparada, foi muito engraçado.
Finalmente, chegou o dia de retornarmos para ARGENTINA. inicialmente o plano era seguir para Villa La Angostura. Quando saímos de Puerto Varas estava uma chuva torrencial, e como a chuva continuou forte por um tempo e com isso teve um atraso, resolvemos dormir em uma cidade chamada ENTRE LAGOS, antes da cordilheira e da fronteira Chile Argentina. Aí está o motivo de não fazermos a reserva antecipada, em uma aventura assim. Afinal imprevistos podem acontecer e fazem parte do roteiro.

Mais uma vez, Argentina!
Acordamos e nada de a chuva passar. Decidimos então prosseguir a viagem mesmo assim. Atravessamos para a Argentina pelo PASO CARDEAL SAMORÉ (antigo Paso Puyehue).
Quando cheguei à aduana, tive que ficar com a mão embaixo da água por um tempão para esquentar, de tanto frio que passei! Parecia que ia quebrar de tanta dor! A temperatura estava em torno de -1° C, não é tão frio, mas com a chuva, o vento e a luva molhada, sensação de frio aumenta demasiadamente. Por sorte tinha um outro par de luva guardada e desta vez impermeável, que permitiu continuar a viagem sem sofrimento.
Saindo da aduana, começou a nevar… que emoção e que visual mais lindo! Foi um sentimento indescritível andar pela primeira vez na neve de moto, com a estrada ao redor ficando esbranquiçada e cada vez mais bela.


Andamos por esse cenário exuberante até finalmente chegarmos a VILLA LA ANGOSTURA, uma cidade linda e encantadora. Ficamos em uma pousada muito aconchegante ao pé do morro, com vista para o lago.


Como no dia seguinte o tempo continuou ruim, deixamos as botas e as luvas sobre o aquecedor para secarem e fizemos um tour pela região, aproveitando a carona de um casal do Rio de Janeiro que conhecemos e é comum fazermos amizades nestas viagens. Passamos a tarde na aldeia de VILLA TRAFFUL e fomos jantar no centro da cidade, para saborear o famoso cordeiro patagônico.


A paisagem nesta época do ano é toda colorida
No dia seguinte, quando retornamos para a estrada, o sol apareceu novamente e aproveitamos toda a beleza da região e do trajeto, inclusive passamos no trecho da famosa RUTA DE LOS SIETE LAGOS na Villa la Angostura , e seguimos pela mesma estrada, a Ruta 40, para São Carlos de BARILOCHE. Com a luz do sol, deu para ver o quão bonita é a cor dos lagos.



Passeamos por dois dias em Bariloche, onde andamos na muito linda e agradável estrada CIRCUITO CHICO, com o cafezinho no imperdível Punto Panorâmico, não podia faltar a fotografia do lago Nahuel Huapi e o hotel mais chic de Bariloche, o Llao Llao Hotel no mirante do circuito. Além da beleza do local, desfrutamos da rica gastronomia regional, com direito à experimentar a cerveja Patagônia, famosa e deliciosa e, jantamos no bem conceituado restaurante El Boliche de Alberto, Parrilla e também fomos saborear o mesmo El boliche de Alberto, onde servem somente a pasta.


Tinha um carrancho sobrevoando no mirante do Lago Nahuel Huapi, provavelmente um morador local, e no dia seguinte votamos para alimentar com pedaços da carne. São algumas lembranças que parecem bobas, mas que ficaram na memória.

Também tiramos um dia para fazermos um cruzeiro turístico pelo LAGO NAHUEL HUAPI, até PUERTO BLEST, com as gaivotas comendo na nossa mão e a visita a belas cachoeiras.



Retornando sentido Brasil, mais ainda prosseguindo com o tour pela Argentina, paramos só para dormir na cidade de CHOELE CHOEL e seguimos para BAHIA BLANCA. Lá acabamos ficando em um hotel muito ruim, por um motivo, no mínimo, cômico: procuramos uns dez hotéis antes, e todos estavam lotados, falaram que a cidade estava sediando o campeonato mundial de… bocha!


Passamos também por MAR DEL PLATA. Como é uma cidade bonita com suas praias e caminhos à beira-mar, bem cuidada e com estradas gostosas de andar, ficamos um dia a mais nesse destino, passeando pela cidade e conhecendo a região e cidades vizinhas como; Chapadmalal, San Eduardo del Mar e Miramar.



Depois, finalmente chegamos a BUENOS AIRES. Adoro a capital argentina, e desde o início nossa intenção era passar três noites na cidade, apesar de já a conhecermos. Nosso intuito foi explorar coisas diferentes desta vez, como ir a um show de jazz (e isso na cidade do tango!… rs),

jantamos no típico bodegón argentino e no japonês Benihana,

e também fomos conhecer o bairro Chinês, Chinatown de Bueno Aires, além de passear pelos lugares que já conhecíamos.

Grande final
Depois de descansarmos por três dias em Buenos Aires, atravessamos o Rio de la Plata para o MONTEVIDÉU de BUQUEBUS FRANCISCO, que é o catamarã em homenagem ao Papa Francisco, com direito a champanhe para brindarmos a mais uma deliciosa e linda aventura!


Em MONTEVIDÉU, aproveitamos para trocar o pneu da BMW do Oscar e fazer a manutenção da Fat Boy. Fizemos queridas amizades por lá, como com o Willi, motociclista aventureiro, colecionador de motos clássicas e que tem uma oficina especializada onde realizei a manutenção da minha Fat Boy, Ernesto, outro motociclista aventureiro, que já viajou por quase todos os continentes incluindo os países como Indonésia, Filipinas, Cingapura e outros, Roberto, grande viajante espanhol, que já rodou quase toda a Europa, África e América, entre muitos outros. Aliás, essa é uma das vantagens de viajar de moto: fazemos amizades por todos os cantos que passamos!

Saindo de Montevidéu, passamos na estrada à beira mar de Piriápolis, uma pequena cidade praiana bastante charmosa, situada a 40 km do luxuoso balneário de PUNTA DEL ESTE. Chegando em Punta, antes de ir ao hotel tivemos tempo suficiente para fazer um tour motociclístico pelas ruas da cidade e pernoitamos em grande estilo na cidade mais badalada do Uruguai.



Finalmente, hora de retornar ao BRASIL! Depois de Punta, dormimos em JAGUARÃO, onde aproveitei para fazer compras no free shop,

e rumamos para LAGUNA. Adorei essa cidade de Santa Catarina, e está nos meus planos voltar para passar alguns dias no local.

De Laguna, lar doce lar! Chegamos em São Paulo no dia 25 de novembro, depois de viajar por 32 dias e rodar aproximadamente 13.500 quilômetros.
Foi uma viagem incrível, de descobertas, paisagens lindas, cultura rica, gastronomia deliciosa e muita estrada convidativa para andar sobre duas rodas. Ainda bem!
